Sambada de Coco

O Projeto “No Guadalupe o Coco é de Umbigada” foi iniciado em 1998, no bairro de Guadalupe, em Olinda, na perspectiva de continuidade da ação de valorização, difusão e preservação da memória da brincadeira do Coco. Começando no quintal do Terreiro, depois a manifestação ganhou a rua e transformando-se na tradicional Sambada de Coco do Guadalupe.
A Sambada vem acontecendo ao longo de quase 12 anos, todo primeiro sábado de cada mês, mobilizando um público médio de até duas mil pessoas, entre coquistas, Mestres da cultura popular, artistas, produtores culturais, educadores, gestores públicos, estudantes, turistas, jovens, a comunidade em geral e seu entorno, realizando um trabalho contínuo de inclusão sociocultural e de geração de trabalho e renda para dezenas de pessoas que comercializam produtos durante a festa.
A partir dela iniciaram-se outras ações que, juntas, compõem a atuação do Centro Cultural Coco de Umbigada: organização comunitária, sem fins lucrativos, que mantém atividades artísticas, culturais e educacionais oferecidas para a comunidade como forma de resgate de práticas, valores e da auto-estima através do protagonismo cultural.
Compreendemos a Sambada de Coco do Guadalupe como uma grande celebração da cultura popular de matriz afro-indígena. É a ocasião aonde a comunidade participante do Ponto de Cultura Coco de Umbigada – Mestres, Griôs, Yalorixás e Babalorixás, professores, monitores, alunos, crianças, artistas, comerciantes locais, artesões – se reúnem para tocar, cantar, dançar, reverenciar a ancestralidade, os Orixás do Candomblé e as entidades da Jurema Sagrada; dialogar; registrar e documentar – através de fotografias e pequenos vídeos – a produção cultural dos grupos participantes; exibir e assistir vídeos sobre a cultura popular de matriz afro-indígena; transmitir a Sambada através da Rádio Amnésia FM e da internet; realizar entrevistas com os Mestres, brincantes e com gestores públicos presentes; compartilhar e trocar os saberes ancestrais da brincadeira do Coco. Toda a comunidade participa, seja através das oficinas, ou das atividades de produção do evento, ou comercializando produtos e gerando renda complementar.
Garantir a continuidade da Sambada de Coco do Guadalupe significa promover a difusão desta manifestação cultural, estimulando e gerando auto-estima em outros grupos e nas comunidades tradicionais em que os folguedos se foram com a morte dos seus Mestres. Oferecer oportunidades para que diversos Mestres anônimos da cultura popular do Coco possam se revelar, construindo uma relação de convívio harmônico do passado com o presente, na perspectiva de manutenção e continuidade com a brincadeira do Coco e suas vertentes. Manter uma ação que articula e estimula a produção, divulgação e circulação de músicas e conteúdos da cultura popular pernambucana, em um cenário onde o total domínio comercial da comunicação prejudica o reconhecimento da música da terra.

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